FICHA DE JOGO:
Taça da Liga – Grupo D – 3ª Jornada
F.C.Porto 2-2 Vitória.F.C (Setúbal)
Data: 05 de Fevereiro de 2012
Hora: 18h30
Local: Estádio do Dragão – Porto
Árbitro: Vasco Santos(A.F.Porto);
FUTEBOL CLUBE DO PORTO: Rafael Bracali; Danilo, Mangala, Maicon e Alex Sandro (Álvaro Pereira aos 62’); Fernando (Steven Defour aos 34’), João Moutinho (capitão) e Lucho González; Silvestre Varela, Cristian Rodriguez (James Rodriguez aos 62’) e Mark Janko;
Suplentes não utilizados: Kadú, Sapunaru, Juan Iturbe e Kleber;
Treinador: Vítor Pereira
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE: Matos; Ney Santos, Ricardo Silva (capitão), Igor e Miguelito; Bruno Amaro e Hugo Leal (Djikiné aos 73’); Neca, Kiko (Tiago Targino ao int) e Jorge Gonçalves; Meyong (Rafael Lopes aos 78’);
Suplentes não utilizados: Ricardo, Amoreirinha, Pedro Mendes e Reyes;
Treinador: Bruno Ribeiro;
Indisciplina: Amarelos para Jorge Gonçalves (71’); Bruno Amaro(86’);
Resultado ao intervalo: 1-0
Resultado final: 2-0
Marcadores: Lucho González(23’), Mark Janko(76’);
Melhores em campo: João Moutinho (F.C.Porto) e Neca (Vitória S.C);
CRÓNICA
Foi um jogo de forte componente emocional. Culpado? Lucho Gonzalez! O argentino galvanizou as bancadas, e cotou-se como principal motivo de interesse de uma partida com pouco a dizer: o valor das duas equipas nem sequer é comparável, e o decorrer do jogo mostrou um vencedor natural e indiscutível: o F.C.Porto
Seja como for, mostrou-se o trio presumivelmente titular do miolo portista: Fernando, João Moutinho e Lucho González. E Lucho não vale só pelo que joga: vale pelo que faz os outros jogar! Com a sua entrada na equipa o meio – campo estabiliza-se, e passa a jogar em função dos três jogadores. As afinações ainda não estão no ponto, é certo, e houve várias perdas de bola.
No entanto, é um trio de suporte, onde Lucho e Moutinho vão transportando jogo, muito embora o argentino se conote mais como elemento de organização de jogo. Moutinho foi, no entanto, o melhor em campo: muita energia, ocupação de espaços constante, tabelinhas rápidas e serviço à linha dianteira.
Sempre a alta velocidade. E destaque também para Defour: o belga mostrou-se consciente das suas funções como pivô defensivo, e é neste momento a alternativa mais válida a Fernando. De resto, motivo de interesse para a estreia de Janko. Não é um jogador espectacular, mas vem preencher lacunas: recepção de bola e remate fácil, pelo ar ou pelo chão. Isso mesmo mostrou, e nada melhor que uma estreia a marcar.
Os alas – Rodriguez e Varela – estiveram um pouco aquém das expectativas. Novidades também nas laterais: na esquerda Alex Sandro foi perdendo a timidez ao longo da partida; e na direita Danilo assumiu-se como lateral ofensivo, com tendência para pisar zonas interiores. Destaque também para Mangala: bom rendimento.
O Vitória de Setúbal é uma equipa lenta. Tem bons jogadores, capazes de circular a bola de forma interessante, mas tem algumas lacunas na transição rápida. Em passe longo, todavia, Bruno Amaro e Hugo Leal fazem crescer a equipa em determinados momentos. E pelas alas são acutilantes: falta Kiko entrar mais em jogo pois, de facto, tem qualidade técnica para isso.
Com o público a entoar o nome de Lucho Gonzalez, o jogo começou com os dragões a assumirem natural domínio. Era Danilo quem, na direita, agitava o jogo, e aos 6’ o brasileiro obrigou Matos a defesa segura. O austríaco Janko rematou com perigo aos 9’: assistência de Varela após passe a rasgar de Lucho.
O Vitória tentava reagir e aos 20’ a formação sadina pode-se queixar do árbitro: não havia fora-de-jogo de Meyong a passe de Ney, e o avançado ficaria isolado. Logo de seguida, o Porto marcou. E que golo de Lucho González! Pressão de Danilo sobre o ala, com o brasileiro a romper para o cruzamento. Ney aliviou para o meio e Lucho, de pé esquerdo, a colocar a bola no canto superior direito da baliza de Matos. Sem hipótese!
O Porto continuava na mó de cima e, mesmo num ritmo ponderado, continuava a ameaçar: aos 30’ Moutinho cobrou o canto, a bola foi ter à cabeça de Mangala, com o francês, ao primeiro poste, a quase marcar. Pouco depois Fernando saiu lesionado, cedendo o seu lugar a Defour.
O triângulo manteve-se, com o belga a posicionar-se como pivô defensivo. Esboçou-se posteriormente uma ligeira reacção sadina: primeiro Kiko rematou por cima aos 35’; e aos 37’ Ney Santos, após livre de Neca, acertou na barra.
Na segunda parte a toada do jogo manteve-se. Alex Sandro, mais dinâmico, dava outra vida ao flanco esquerdo. Aos 48’ o brasileiro rompeu e assistiu Varela, que obrigou Matos a boa defesa. Já aos 56’ foi Danilo quem subiu pelo seu corredor, cruzando para a cabeça de Janko. A bola foi de cima para baixo mas Matos, em voo, evitou novamente o golo.
As ameaças sucediam-se e aos 63’, na sequência de canto apontado por Moutinho, Maicon testou novamente a eficácia do guardião sadino. Mas aos 76’ a bola entrou mesmo: James Rodriguez – que tinha entrado juntamente com Álvaro Pereira – arranjou espaço no flanco esquerdo para cruzar para a área onde Janko, de primeira, encostou para o golo.
Daí até ao final poucos foram os motivos de interesse. O Porto segue para as meias-finais da Taça da Liga, num grupo onde foi claramente superior, e nem teve de se aplicar a fundo para se qualificar. Arbitragem com alguns erros de Vasco Santos, mas sem influência no resultado.
Análise Individual dos Jogadores do Futebol Clube do Porto
Rafael Bracali – Praticamente não teve trabalho durante todo o desafio. Viu uma bola bater na barra, mas nada podia fazer. Exibição tranquila.
Danilo – Jogou no risco, com muita acutilância para se acrescentar como mais um elemento do miolo. O jogo não tinha grande grau de dificuldade, pelo que o risco acabou por ser controlado. Esteve no primeiro golo da partida, cruzando para o corte de Ney, e consequente golo de Lucho.
Maicon – Atento na marcação, jogou sempre com simplicidade, nunca comprometendo. De resto o trabalho também não foi muito. Acrescentou-se como elemento precioso nas bolas paradas ofensivas. Exibição positiva.
Mangala – Impressionou pela forma como recuperou. Já com mais noções de espaço, mostrou um posicionamento mais atento, e maior solidez nas situações de 1x1. Está a ganhar terreno em direcção à titularidade. Apenas um senão: aos 35’ deixou-se bater por Igor, num lance em que a bola foi à barra.
Alex Sandro – Começou algo tímido, sem perceber muito bem os timings de arranque e de recuperação. Algumas bolas perdidas durante esse período, mas nada que condicione uma exibição positiva. Na segunda parte melhorou e ajustou-se aos ritmos da equipa, protagonizando subidas interessantes antes de ser substituído.
Fernando – Importante para estabelecer os equilíbrios da equipa, estava a entender-se bem com a dupla Moutinho – Lucho antes de sair lesionado. É um jogador fundamental na tranquilização da posição “6”, que se perdeu em Barcelos.
João Moutinho – Com a entrada de Lucho pode agora render como elemento de transporte de bola, de transição, de passe e tabelinhas, como tanto gosta. Hoje correu os quilómetros necessários e deu discernimento a toda a linha avançada. A contratação de Lucho foi uma grande notícia para o “hoje” capitão portista. O melhor em campo.
Lucho Gonzalez – Está a readquirir processos, a conhecer melhor os colegas, mas a sua entrada na equipa proporcionou um certo misticismo: é um jogador com carisma, de estatuto indiscutível. Que grande golo marcou aos 23’! Alternou com Moutinho as tarefas de transporte de jogo, mas resguardou-se mais para linhas ofensivas, de criatividade pura. E deu-se bem!
Silvestre Varela – Muita vontade, muita desmarcação, mas hoje sem a clarividência necessária: perdeu-se em situações de 1x1 escusadas, em que a definição de passe nunca chegou. Com Janko na equipa deixou de aparecer tanto no centro, e tal foi compreensível.
Cristian Rodriguez – Algumas arrancadas na primeira parte, em velocidade, não disfarçam a instabilidade exibicional. Quando apareceu na direita ganhou lances, sem nunca ser o pólo de desequilíbrio que a equipa necessitou. Tentou nas bolas paradas, fazendo uso do seu bom jogo aéreo, sem grande êxito todavia.
Mark Janko – Não é o avançado perfeito: é o avançado necessário. Bom na recepção de bola e distribuição, e letal na finalização. Aos 9’, 56’ e 63’ esteve perto do golo que conseguiu aos 76’. Falta-lhe afinar a pontaria mas o seu ADN está mostrado: ponta-de-lança puro.
Steven Defour – Boas indicações! Na posição de médio defensivo garantiu a circulação de bola, os equilíbrios e as compensações às subidas dos laterais. Não se perdeu em zonas anárquicas, ponderando perfeitamente todos os seus passos. Mostrou que é a alternativa mais válida à ausência de Fernando.
Álvaro Pereira – Entrou para não perder o ritmo, dando acutilância ao flanco esquerdo. Mas também fez recuperações preciosas.
James Rodriguez – No seu estilo livre, partiu da direita em diagonal ou da esquerda em profundidade, acrescentando-se ao duo Moutinho – Lucho. Assistiu Janko para o segundo golo da equipa.
Análise Individual dos Jogadores do Vitória Futebol Clube
Matos – Sem culpas nos golos sofridos, fez defesas de elevado grau de dificuldade: a melhor das quais aconteceu aos 56’ parando a cabeçada certeira de Janko. Fez o que podia fazer.
Ney Santos – Lateral muito forte fisicamente, deu luta a Cristian Rodriguez, enfrentando-o com muita determinação. Ganhou vários lances em confronto individual. Compensou ao meio com eficácia, e no lance do primeiro golo foi infeliz, pois pôs a bola nos pés de Lucho. Subiu bastantes vezes no terreno, em profundidade, de forma equilibrada.
Ricardo Silva – Central experiente, não entrou no duelo fácil em 1x1, preferindo resguardar-se posicionalmente. Algo lento nos processos soube cotar-se como útil nos lances aéreos. Regressou a casa, pois formou-se no F.C.Porto
Igor – Protagonizou um duelo interessante com Varela, pois ganhou vários lances e conseguiu irritar o portista. Procurou compensar alguma lentidão de Ricardo Silva, aparecendo-lhe nas compensações. Bem pelo chão, dando pouco espaço.
Miguelito – Lateral com preponderância ofensiva, sentiu algumas dificuldades quando foi obrigado a auxiliar ao meio. Pela linha optou pelo passe longo e pela tabelinha com o ala, nem sempre com êxito. Todavia cumpriu o que foi pedido.
Bruno Amaro – Jogador fundamental da equipa, pois inicia o processo de construção da equipa. Algo preso de movimentos, foi abafado pela eficácia dos médios portistas. Com isso perdeu preponderância, e as transições da sua equipa passaram a ser lentas.
Hugo Leal – Procurou iniciar o processo de construção, com Bruno Amaro ao seu lado. Fechou os espaços ao miolo, e nesse capítulo até foi eficaz. Mas falta velocidade nos processos da equipa, tal como lhe falta a ele.
Neca – Sempre que acelera, a equipa ressente-se pela positiva. Graças a ele a equipa ganha clarividência e criatividade. A velocidade já não é a mesma, mas o talento mantém-se intacto. Consegue colorir uma equipa algo cinzenta.
Kiko – Mostrou capacidade técnica evoluída mas pouco apareceu na partida. Registo para um remate perigoso aos 35’. Foi substituído com naturalidade mas motivou curiosidade devido aos pormenores. Sempre a referência em termos de bola parada, e a estratégia sadina passa muito por aí.
Jorge Gonçalves – Muito solicitado, em velocidade, deu trabalho a Alex Sandro sempre que o enfrentou directamente. No entanto o Porto compensou bem, e a sua acção revelou-se infrutífera.
Meyong – Avançado experiente, que segura bem a bola, não teve oportunidade de pisar zonas de finalização. Ainda assim deu algum trabalho aos centrais que tiveram de se agregar para evitarem males maiores.
Tiago Targino – Jogador talhado para o contra-ataque, posicionou-se na esquerda para aproveitar o adiantamento de Danilo. No entanto o brasileiro recuperou bem, e o ex- Vitória de Guimarães tornou-se presa fácil.
Djikiné – Substituiu um exausto Hugo Leal. Pôs alguma ordem no jogo.
Rafael Lopes – Deambulou pela frente de ataque na procura de espaços. Pouco conseguiu acrescentar.
Texto: Gil Nunes
Imagem: D.R.
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