12:14Wednesday, 10 August de 2011
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Haverá Paciência?

HAVERÁ PACIÊNCIA?

A nova direcção do Sporting Clube de Portugal reuniu em Alvalade matéria-prima em qualidade e quantidade para permitir a Domingos Paciência construir uma boa equipa, mas seria insensato esperar que essa equipa esteja pronta para dar "show" já no dia 13. Uma vitória, mais ou menos sofrida, mais ou menos "sortuda", seria muito bem-vinda numa altura em que várias dúvidas ainda devem persistir na mente do "mister".

Jogar em 4-1-3-2 (desdobrando-se em 4-2-4 ofensivo) com apenas dois médios-centro (Stijn Schaars e Fábian Rinaudo) para assim poder jogar com 4 unidades declaradamente ofensivas (Diego Capel, Jeffrén Suárez, Hélder Postiga e Ricky von Wolfswinkel), sistema esse que tem evidenciado défice de ‘fantasia’ no miolo e também (expectavelmente) falta de rotinas de jogo no último terço do terreno, ou alterar o esquema para um 4-3-3 com Matias Fernandez à esquerda de Schaars e com Capel e Jeffren a flanquear von Wolfswinkel ou alternativamente Diego Rubio?
Na mente do treinador deverá estar a ideia de jogar em ambos os sistemas ao longo da época, pois pouco sentido faria ter ido buscar Luís Aguiar e manter Matias no plantel para depois jogar sem um ‘10’ ou para os ‘enfiar’ nos corredores laterais. Uma coisa é certa, seja em 4-1-3-2 ou em 4-3-3 o Sporting irá felizmente flanquear muito o seu jogo esta época.

A jogar só com um ‘9’ a escolha teria que recair em von Wolfswinkel ou Diego Rubio, pois Postiga não tem essas características. O holandês custou muito dinheiro, só tem 22 anos, e tem ‘pinta’ de ‘homem de área’ e precisa que os extremos sejam ‘amigos’, mas até agora está a ter uma adaptação difícil, enquanto Diego Rubio tem excedido as expectativas e não me surpreenderia se fosse titular no eixo ofensivo de um 4-3-3, a verdade é que se esquecermos a sua data de nascimento, não podem haver quaisquer dúvidas de que o jovem chileno é o melhor avançado-centro no plantel.

Na defesa persistem as dúvidas. Esta equipa joga com menos espaço entre os sectores do que a do ano passado, mas joga com uma defesa mais subida do que qualquer outra equipa do Sporting pós-José Peseiro, embora a actual equipa (ainda) não desenvolva um caudal ofensivo ao nível da equipa de 2004/05. Falta-lhe um trinco mais posicional como Custódio, e tal como em 2004/05 faltam defesas-centrais rápidos, capazes de jogar com 40 metros nas suas costas. Por mim, a escolha recairia em Alberto Rodríguez e Anderson Polga, que com a sua mescla de bom jogo aéreo e de veterania são o que o Sporting precisa no dia 13, de ganhar, de iniciar uma sequência de vitórias que dê espaço à equipa para crescer.

Este plantel tem potencial, tem mais valor a médio-longo prazo do que o plantel do Benfica (por exemplo), mas por agora é um plantel e não uma equipa, precisa de tempo, precisará de 10-15 jogos para encontrar a sua identidade e assim poder começar a ganhar regularmente. A questão que resta é quantos pontos e jogos irá esta equipa perder durante esse ‘período de aprendizagem’? Tempo, paciência e tudo o resto era o que não faltava a Domingos no Braga, mas por mais promissor que o ‘mister’ ou o plantel possam ser, é incontornável que se não começa a ganhar no imediato, não haverá 15 jogos de espaço de manobra.
Bom treinador, bom plantel, potencial para um 11 titular razoavelmente forte, excelente dinâmica social a empurrar a equipa, mas as vitórias têm que aparecer já no dia 13 ou a depressão e a ‘irracionalidade’ instalar-se-ão nas bancadas. E partir daí veremos se o ‘Edifício do Futebol’ treme ou não.

Texto: André Carreira de Figueiredo.
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