Jovens Promessas
 
03:35 quarta, 26 de agosto de 2009
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Jovem Promessa: Vítor Andrade

Vítor Andrade (Futebol Clube do Porto)

O segredo do bom futebol de uma equipa moderna passa pela capacidade/qualidade de passe. Desde tenra idade que os novos jogadores são ensinados e preparados para dominar os critérios de passe e recepção. Conceitos fundamentais para o evoluir de um jogador e, consequentemente, de uma equipa e do seu “bom futebol”.

Nos escalões de formação do Futebol Clube do Porto já se destaca Vítor Andrade, farol do bom futebol da equipa de iniciados do Dragão.

As comparações com jogadores como Andrea Pirlo, Xavi ou com o actual treinador do Barcelona, Pep Guardiola são frequentes e percebem-se porquê, pois não é um jogador muito alto e as parecenças a nível futebolístico são muitas. Ocupa a posição 6 do campo e a uma elevada cultura táctica adiciona uma capacidade de passe acima da média.

São motivos mais do que suficientes para dar atenção à história do “Vitinha” que abaixo vos deixo.

Das ruas de Gondomar para o Vidal Pinheiro

Os caminhos de Vítor Andrade cruzaram-se com o futebol bem cedo. Viveu desde sempre em Valbom – Gondomar e os primeiros pontapés na bola foram dados onde tantos outros os deram, na rua.

Este gosto pelo futebol apanhou os pais completamente desprevenidos, pois desconheciam as aptidões do filho para o jogo e também porque o filho mais velho (com18 anos) sempre gostou de andebol, tendo inclusive sido guarda-redes da modalidade. Foi portanto de surpresa que foram apanhados quando o pequeno Vitinha que, após ter lido um anúncio no jornal, pediu ao pais que o levassem aos treinos de captação do Salgueiros.

Os pais acederam ao pedido do filho e levaram o jovem, na altura com 8 anos, aos treinos de captação do clube do Vidal Pinheiro. Assim foi e, numa manha de sábado, 15 minutos após ter iniciado o treino, já o mister Pedro, treinador da equipa de escolas do clube, se deslocava junto do pai do jogador para solicitar toda a documentação necessária pois estavam deveras interessados nos serviços do jovem jogador, cujas qualidades eram por demais evidentes.

Estava dado o primeiro passo na carreira, Vítor Andrade ingressava nas escolas do Salgueiros.

Uma recusa antes do Sim ao Futebol Clube do Porto

No primeiro ano na rotina do futebol do Salgueiros, Vitinha começou como avançado em futebol 7 tendo apontado 15 golos.

O futebol do jovem demonstrava já pinceladas de classe e com naturalidade se abririam portas para voos mais altos. Sempre atentos, os olheiros do Futebol Clube do Porto rapidamente detectaram as potencialidades do Vítor querendo levá-lo para o Dragão logo em Dezembro nesse ano. Mas o jogador recusou. Embora fosse essa uma clara ambição sua, por todas as razões e mais algumas, até por ser portista de coração, o jogador queria acabar a época no Salgueiros. Estava rotinado, o campeonato estava a meio, era titular e não lhe parecia justo deixar a equipa a meio da época. Era a decisão do jogador e estava tomada. Se a proposta se mantivesse noutra altura, então seria nessa altura que o jogador ia dar a resposta, mas naquele momento era no Salgueiros que ia ficar.

Chegado o final da época e os responsáveis pelo clube do Dragão voltaram a contactar a família do jogador. Estava chegada a altura de dar o salto e aceitar o convite do Futebol Clube do Porto.

No Dragão nasce como médio

Chegado ao grande da invicta, o jogador foi encontrar uma realidade completamente diferente. As exigências eram maiores e o impacto da organização do clube foi imediato na vida do jogador.

O futebol Clube do Porto tem um protocolo com a escola que o jogador frequenta, a escola secundária António Nobre. Protocolo esse que permite que os jogadores do clube sejam integrados todos na mesma turma, facilitando assim o calendário de jogos da equipa. Os jogadores são também acompanhados de perto por elementos da estrutura do clube, o que revela a preocupação dos responsáveis do Futebol Clube do Porto na correcta formação escolar dos seus atletas. Com isto, são criados desde logo hábitos de convivência que por sua vez criam laços entre os jogadores. Isto leva à construção de núcleos bem sólidos desde bem cedo que por sua vez leva à formação de equipas.

No Futebol Clube do Porto começou por recuar no terreno. A sua fisionomia, a sua técnica e a sua capacidade de passe pediam outro tipo de aproximação ao jogo, com isso beneficiava o jogador e consequentemente a equipa.

No seu primeiro ano no Dragão, ainda no escalão de escolas, encontrou os treinadores Carlos Alberto, Daniel Correia e João Brandão que colocaram o Vitinha, na maior parte das vezes a jogar como médio esquerdo em futebol de 7.

No seu segundo ano nas escolas já pisou terrenos mais centrais, continuando a cair na esquerda com frequência. Teve nesse ano como treinadores os misters Carlos Alberto e Leandro e era sub-capitão o que denotava já a importância do jogador no seio da equipa. Nunca sendo um goleador, chegou a apontar alguns golos, na sua maioria através de remates de fora de área. O seu forte era a sua capacidade de passe e visão de jogo, o que lhe permitia fazer muitas assistências.

Já como infantil de primeiro ano, a sua preponderância na equipa notava-se cada vez mais, o seu espaço estava ganho e a confiança ia crescendo. Pisando várias zonas do meio-campo, os treinadores Álvaro Silva e Hélder Nunes sabiam que a qualidade de passe do jovem médio assim como a sua quase anormal cultura táctica era uma mais valia para a equipa e para o futebol que queriam ver praticado.

Às boas exibições e à cada vez maior maturidade juntavam-se títulos, estar no Clube do Dragão é estar ligado à palavra campeão e o jogador foi-o sempre.

No segundo ano de infantil Vitinha esteva integrado na equipa A do escalão treinada por Raul Costa e Álvaro Silva. Com alguns golos e muitas assistências, o futebol do médio estava cada vez mais fluido numa equipa que é apontada como uma das melhores da sua geração e onde pontificam nomes como Luís Rafael Alves, João Graça e Tomás Podstawski, entre outros.

Chegado aos iniciados encontrou o mister José Mário e o mister José Tavares. No campo e na zona central, a posição 6, o pivot-defensivo, era cada vez mais sua, embora tenha chegado a fazer alguns jogos como defesa central. Foi mais uma vez campeão e voltou a marcar alguns golos através de remates de fora de área e de algumas grandes penalidades que marcava dada a sua influência, calma e frieza.

A qualidade do futebol do Vitinha marcou lugar na selecção da Associação de Futebol do Porto que disputou a edição deste ano do torneio Lopes da Silva e que foi batida na final pela Associação de Futebol de Lisboa. Apesar da derrota, o jovem médio foi preponderante na manobra da sua equipa e ninguém ficou indiferente à classe, cultura táctica, técnica e à qualidade do futebol do médio portista.

Aos títulos colectivos Vítor Andrade junta o prémio de melhor médio no torneio de Vila Verde na época de 2007/2008 e o prémio de melhor jogador no torneio Luciano Sousa em 2005.

Um farol no meio-campo Azul e Branco

Médio de fino recorte e de olho nas exigências do futebol moderno, Vítor Andrade vai buscar inspiração aos grandes médios do futebol actual, como são o caso de Xavi ou Pirlo. Aliás, já aqui o comparámos ao médio do AC Milan e a comparação, que tem tudo de elogiosa para o jogador, é bastante evidente quando vemos o jovem médio jogar. É tecnicamente evoluído, dono de uma capacidade de passe absolutamente fantástica, principalmente a longa distância, o jovem médio revela também uma sobriedade táctica fora do vulgar que faz dele elemento chave na construção e nas transições. Sabe entender todos os momentos do jogo com grande perspicácia, sabendo muito bem quando deve acelerar ou reduzir a intensidade de jogo da sua equipa.

No Futebol Clube do Porto, o jovem médio é admirador de Bruno Alves, que é já uma forte referência para muitas gerações de jovens jogadores nos escalões de formação do clube. As qualidades do ex-capitão portista Lucho Gonzalez e do actualmente muito influente médio Raul Meireles são mais duas referências incontornáveis para o jogador.

Joga no miolo do terreno, podendo jogar como pivot-defensivo ou um pouco mais subido como médio interior. Domina como poucos, na sua idade, o critério de recepção orientada. Antes de receber a bola e de a dominar perfeitamente já sabe para onde ela tem de ir, fazendo o jogo da sua equipa fluir de forma mais harmoniosa, sendo quase dotado de visão periférica.

Estes conceitos no futebol moderno são cada vez mais importantes, pois com eles ganha-se aquilo a que chamamos capacidade e qualidade de passe e isso leva a um futebol mais atractivo. É portanto um jogador muito importante na construção do futebol da sua equipa.

Os objectivos passam, como os de tantos outros, por chegar à equipa sénior do Futebol Clube do Porto, assim como à Selecção Nacional. Objectivos esses que sabe que, embora seja ainda muito cedo e prematuro pensar neles, são metas que quer atingir.

Numa equipa, como num navio, toda a tripulação é importante e dentro de cada individualidade há que encontrar um fio condutor que leve a um colectivo. Nesse colectivo, Vítor Andrade é uma espécie de farol, um farol que tem como objectivo iluminar os caminhos que levam um barco e sua tripulação rumo ao bom futebol é por agora o seu trabalho é muito promissor.

B.I do jogador:

Nome
: Vítor Emanuel Rodrigo Andrade.
Data de nascimento: 16/03/1995 (14 anos).
Nacionalidade: Portuguesa.
Peso: 58 quilogramas.
Altura: 1,70.
Posição: Médio.
Percurso: Sport Comércio e Salgueiros e Futebol Clube do Porto.
Clube Actual: Futebol Clube do Porto

Texto: Tiago Jacinto.
Imagem: Notícias do Futebol
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