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02:02 quinta, 9 de fevereiro de 2012
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Regresso de Rinaudo ajuda leões a chegarem ao Jamor

 

FICHA DE JOGO:
Taça de Portugal – 2011/12 – Meia-final – 2ª mão
Clube Desportivo Nacional 1-3 Sporting Clube de Portugal

Data: 8 de Fevereiro de 2012
Hora: 20h15
Local: Estádio da Madeira

Árbitro:  Pedro Proença

GRUPO DESPORTIVO NACIONAL: Vladan (Marcelo Valverde, 45+1 min.); Claudemir, Neto, Danielson e Marçal; Todorovic (Keita, 77 min.), Moreno (Skolnik, 18 min.) e Diego Barcellos; Candeias, Mario Rondon e Mateus
Treinador: Pedro Caixinha
Suplentes não utilizados: João Aurélio, Elizeu, Márcio Madeira e Oliver

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: Rui Patrício; João Pereira, Anderson Polga, Xandão e Insúa; Rinaudo (Ribas, 69 min.), Elias e Matías Fernandez; André Carrillo, van Wolfswinkel (Daniel Carriço, 82 min.) e Diego Capel (Evaldo, 51 min.)
Treinador: Domingos Paciência
Suplentes não utilizados: Marcelo Boeck, André Martins, Renato Neto e Izmailov

Indisciplina: cartão amarelo a Mario Rondon (39 e 55 min.), Claudemir (72 min.), Neto (75 min.) e Marçal (89 min.); e a Xandão (9 min.), Evaldo (70 min.), Carrillo (75 min.) e Anderson Polga (90+4 min.); cartão vermelho por acumulação a Mario Rondon (55 min.)

Resultado ao Intervalo: 0-1
Resultado Final: 1-3

Marcadores: Diego Barcellos (63 min.); Rinaudo (17 min.), van Wolfswinkel (74 min. g.p.) e João Pereira (90+3 min.)

Melhor em campo: Matías Fernandez (Sporting)


Crónica:

Num jogo em que jogavam muito da temporada 2011/12, os leões foram vencer à Choupana por três bolas a uma, conquistando o direito a estarem na final da Taça de Portugal no próximo mês de Maio no Estádio do Jamor.

Apesar do triunfo, tratou-se de um duelo muito complicado para o Sporting, que chegou cedo à vantagem mas, mesmo em superioridade numérica, permitiu que a equipa madeirense chegasse à igualdade no jogo e à vantagem na eliminatória. Com 1-1, os verde-e-brancos voltaram a carregar na busca de um golo que valesse a passagem ao Jamor, beneficiando então de uma grande penalidade algo rigorosa para atingirem o 1-2 e ligeira tranquilidade no encontro, sendo que só o 1-3, já nos descontos, valeu aos leões um descanso absoluto.

Com esta importante vitória, o Sporting ganha um balão de oxigénio para os próximos compromissos, nomeadamente o importante jogo com o Marítimo para o campeonato, a disputar no próximo Sábado.

Ambas as equipas em 4x3x3 com duplo-pivot

Nacional e Sporting entraram no Estádio da Madeira com o mesmo esquema táctico, ou seja, o 4x3x3 com duplo-pivot, sendo o do Nacional composto por Todorovic e Moreno e o verde-e-branco composto por Rinaudo e Elias.

Nesse seguimento, o Nacional entrou em campo com Vladan na baliza; um sector defensivo com Claudemir (lateral-direito), Marçal (lateral-esquerdo) e a dupla de centrais: Neto e Danielson; depois, no meio-campo, Todorovic e Moreno formavam o duplo-pivot defensivo, enquanto Diego Barcellos era o elemento mais adiantado; por fim, no ataque, Candeias encostava à direita, Mateus encostava ao flanco oposto e Mario Rondon era o ponta de lança.

Por outro lado, os leões surgiram na Choupana com Rui Patrício na baliza; um sector defensivo com João Pereira (lateral-direito), Insúa (lateral-esquerdo) e a dupla de centrais: Anderson Polga e Xandão; depois, no meio-campo, Rinaudo e Elias formavam o duplo-pivot mais recuado, enquanto Matías era o”dez”; por fim, no ataque, Diego Capel e Carrillo alternavam nas alas, enquanto van Wolfswinkel era o ponta de lança.

Golo de Rinaudo fez a diferença em primeira metade bem disputada

Ambas as equipas entraram no Estádio da Madeira com a consciência de que se tratava de um jogo decisivo, surgindo fortes sobre o relvado e procurando chegar rapidamente ao golo. Nos primeiros minutos, o Nacional revelou-se mais ofensivo, aproveitando um erro de João Pereira para lançar um lance perigoso logo no primeiro instante do jogo e, depois, aos seis minutos, na sequência de um cruzamento do flanco direito, foi novamente o lateral-direito do Sporting a ficar mal na fotografia, cortando defeituosamente a jogada e fazendo o esférico embater na trave da baliza de Rui Patrício. Na recarga, Mateus ainda procurou o golo, mas viu a bola por si cabeceada ser cortada por Anderson Polga.

O Sporting, por seu lado, só aos 17 minutos chegou com verdadeiro perigo à baliza de Vladan, todavia, foi letal na forma como o fez, pois numa jogada de insistência ofensiva a bola chegou aos pés de Rinaudo que, de fora da área, efectuou fortíssimo pontapé que embateu primeiro no poste e acabou por se deter no fundo da baliza nacionalista.

Pouco tempo depois do 0-1, o Sporting podia mesmo ter dado uma machadada fatal na eliminatória, quando, num lance de contra-ataque, Carrillo teve corrida desenfreada pelo flanco esquerdo e cruzou para o centro, onde Matías chegou ligeiramente atrasado.

Na resposta, o Nacional também criou perigo para a baliza de Rui Patrício, quando Diego Barcellos serviu Mario Rondon e o venezuelano, após tirar Anderson Polga do caminho, obrigou o guarda-redes do Sporting a excelente defesa.

A partir deste lance e até ao intervalo, o jogo permaneceu equilibrado e bem disputado, ainda que as melhores oportunidades pertencessem ao Sporting, com destaque para dois lances anulados por foras de jogo mal tirados, em que num Diego Capel introduziu a bola na baliza do Nacional e em que noutro Insúa rematou com estrondo ao poste da baliza de Vladan.

Nacional não baixou os braços nem em inferioridade numérica

No recomeço, notava-se uma vontade dos madeirenses em reagirem à desvantagem, até porque o Sporting aparecia agora mais recuado no terreno e com maior vontade de gerir a magra vantagem na eliminatória.

No entanto, aos 55 minutos, a equipa nacionalista havia de sofrer duro revés, pois na sequência de uma entrada sobre Rinaudo, Mario Rondon viu o segundo amarelo e acabou por deixar o Nacional em inferioridade numérica no campo.

Ainda assim, o conjunto madeirense nunca baixou os braços e, aos 62 minutos, na sequência de um lançamento longo, Diego Barcellos aproveitou a passividade da defesa do Sporting e, também, do seu guarda-redes, para se antecipar a tudo e todos e cabecear para um 1-1 que garantia o apuramento momentâneo do Nacional para o Jamor.

A precisar de um golo para estar na final da Taça de Portugal, Domingos Paciência percebeu que tinha de arriscar e lançou Ribas para o lado de van Wolfswinkel, numa clara procura de explorar a alta estatura da dupla. Apesar dessas intenções, o golo haveria de surgir, mas num lance bem terrestre, sendo resultado de uma grande penalidade convertida pelo ponta de lança holandês ao minuto 74 a castigar um derrube de Insúa dentro da área, numa situação em que dou benefício da dúvida ao árbitro, mas parece haver algum rigor excessivo de Pedro Proença.

Novamente em vantagem, Domingos Paciência entendeu que podia voltar a ser conservador e abdicou de van Wolfswinkel para colocar Daniel Carriço em campo. Com esta alteração, o Sporting, mesmo em superioridade numérica, convidava o Nacional a assumir o jogo até final, na procura de um golo que forçasse o prolongamento.

De facto, mesmo com menos uma unidade, o Nacional foi criando algum perigo para a baliza do Sporting, com destaque para um lance em que Keita chega ligeiramente atrasado a um cruzamento venenoso de Candeias e para um perigosíssimo remate de Mateus que Rui Patrício defendeu com dificuldade junto à relva.

Assim sendo, o descanso para os leões só surgiu ao penúltimo minuto de descontos, quando João Pereira teve uma espectacular iniciativa pelo flanco direito, passando por vários adversários e concluindo o lance com um chapéu perfeito sobre Marcelo Valverde, fazendo o 1-3 e carimbando definitivamente o passaporte do Sporting para o Jamor.


ANÁLISE INDIVIDUAL: GRUPO DESPORTIVO NACIONAL

Vladan: Saiu pouco antes do intervalo por lesão, mas, até lá, efectuou exibição tranquila, nada podendo fazer no lance do golo de Rinaudo.

Claudemir: Esteve muito bem a defender, ainda que por vezes tenha sido excessivamente duro. Ofensivamente, esteve menos interventivo que noutras ocasiões.

Danielson: Boa exibição do defesa-central brasileiro, sempre muito activo nos cortes pelo chão e pelo ar, assim como no comando do sector defensivo.

Neto: Entrou seguro e tranquilo como é seu apanágio, mas depois a pressão começou a tomar conta do defesa-central, nomeadamente após o lance da grande penalidade, notando-se que o ex-jogador do Varzim passou a ficar mais nervoso e menos concentrado.

Marçal: Em termos ofensivos foi sempre um jogador interessante, subindo várias vezes no flanco e beneficiando da menor capacidade defensiva de João Pereira, mas em termos defensivos sofreu um pouco com a velocidade e qualidade técnica de Carrillo.

Moreno: Estava a fazer um bom jogo na frente da defesa do Nacional, mas teve de sair precocemente por lesão.

Todorovic: Exibição discreta mas cumpridora do sérvio na zona defensiva do meio-campo nacionalista.

Diego Barcellos: Excelente exibição do médio-ofensivo brasileiro, que criou imensos desequilíbrios e marcou um golo pleno de qualidade na sequência de uma cabeçada soberba.

Candeias: Foi sempre pelo seu flanco que a equipa atacou mais, destacando-se dois excelentes cruzamentos em que o primeiro foi cortado por João Pereira na direcção da trave da baliza leonina e em que o segundo viu Keita falhar o desvio por centímetros.

Mario Rondon: Mostrou-se sempre perigoso no centro do ataque nacionalista, tendo mesmo obrigado Rui Patrício a defesa apertada na primeira parte. Na etapa complementar, acabou por ser expulso por entrada sobre Rinaudo, deixando os madeirenses precocemente com menos um elemento.

Mateus: Não jogou propriamente mal, mas faltou ao Nacional o Mateus desequilibrador e acutilante de sempre. Talvez ainda esteja desgastado da participação na Taça de África.

Skolnik: Rendeu Moreno, mas jogou de uma forma diferente, pois é um jogador bem mais ofensivo que o médio português. Boa exibição a jogar entre Todorovic e Diego Barcellos.

Marcelo Valverde: Rendeu Vladan na baliza nacionalista e sofreu dois golos, ainda que não tenha tido quaisquer culpas em nenhum dos tentos. Exibição positiva.

Keita: Entrou para o assalto final à baliza leonina e esteve activo no ataque, tendo inclusive ficado a centímetros do 2-2 a cruzamento de Candeias.


ANÁLISE INDIVIDUAL: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL

Rui Patrício: Partilha culpas com Anderson Polga no lance do golo do Nacional, pois devia ter sido mais lesto a reagir ao lance e a sair-se ao lançamento longo, mas, para além disso, esteve seguro e tranquilo na baliza do Sporting.

João Pereira: Entrou muito mal e nunca pareceu entrar verdadeiramente no jogo, todavia, redimiu-se já nos descontos, com um excelente slalom pelo flanco direito que haveria de terminar no golo da tranquilidade verde-e-branca.

Xandão: Agradável surpresa. Imperial no jogo aéreo e jogando sempre de forma simples e eficaz, o defesa-central brasileiro esteve em grande nível na Choupana.

Anderson Polga: Esteve algo passivo no golo de Diego Barcellos, mas de resto esteve em bom plano no centro da defesa, fazendo boa dupla com Xandão.

Insúa: Enquanto jogou a lateral-esquerdo, esteve seguro a defender, mas pouco interventivo nos lances ofensivos. Depois, quando subiu para ala-esquerdo após a saída de Evaldo, foi um jogador muito importante para o Sporting, pois conquistou a grande penalidade que renderia o 1-2 aos leões.

Rinaudo: O Sporting é um clube diferente com Rinaudo e essa mudança é para muito melhor. O internacional argentino pautou todo o jogo do Sporting a meio-campo e ainda foi capaz de um golo soberbo, cotando-se, claramente, como um dos melhores jogadores em campo.

Elias: Partindo de uma posição mais recuada que o habitual, o internacional brasileiro rubricou uma exibição bastante positiva, recuperando inúmeras bolas e lançando várias vezes o ataque com qualidade e critério.

Matías Fernandez: Excelente exibição do internacional chileno. Sempre com classe e deambulando por todas as zonas do terreno, o médio-ofensivo nunca se escondeu do jogo, estando sempre interventivo e acutilante.

André Carrilo: É certo que perde imensas bolas e muitas delas de forma infantil, mas é claramente um jogador que merece a titularidade neste Sporting. Do peruano espera-se sempre um ou outro lance de fantasia e, na Choupana, não foi diferente, com o extremo a fazer a vida negra a Marçal e a contribuir com inúmeros lances perigosos para a defesa do Nacional.

van Wolfswinkel: Lutou imenso, mas ainda está demasiado longe da melhor forma. Marcou um golo de grande penalidade, mas esteve inúmeras vezes desenquadrado dos lances, percebendo-se que precisa de mais tempo para adquirir outro ritmo competitivo.

Diego Capel: Boa exibição do internacional espanhol, ainda que mantenha uma exuberância bastante reduzida em comparação com o início da época. Marcou um golo mal anulado pelo auxiliar de Pedro Proença.

Evaldo: Entrou para reforçar o flanco esquerdo da defesa do Sporting e esteve discreto, jogando sempre pelo seguro e sem arriscar um milímetro.

Ribas: Entrou para dar mais centímetros e presença ao ataque leonino, mas viu-se pouco.

Daniel Carriço: Entrou para dar consistência defensiva ao miolo.

Texto: Redacção NF - RFF.
Imagem: Carlos Alberto Costa / "Notícias do Futebol"
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