FICHA DE JOGO:
Liga Zon Sagres – 2011/12 – 18ª Jornada
Club Sport Marítimo 2-0 Sporting Clube de Portugal
Data: 11 de Fevereiro de 2012
Hora: 18:30
Local: Estádio dos Barreiros
Árbitro: Cosme Machado
CLUB SPORT MARÍTIMO: Peçanha; Briguel, João Guilherme, Roberge e Luís Olim; Roberto Sousa, Rafael Miranda e Benachour (João Luiz, 71 min.); Héldon (Fábio Felício, 82 min.), Danilo Dias (Robson, 89 min.) e Sami
Treinador: Pedro Martins
Suplentes não utilizados: Salin, João Diogo, Fidélis e Tchô
SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: Rui Patrício; Arias, Onyewu, Xandão e Insúa; Rinaudo (Ribas, 60 min.), Elias e Matías Fernandez; Pereirinha (Schaars, int.), van Wolfswinkel e Carrillo (Izmailov, int.)
Treinador: Domingos Paciência
Suplentes não utilizados: Marcelo Boeck, Evaldo, Anderson Polga e Renato Neto
Indisciplina: cartão amarelo a Benachour (17 min.) e Héldon (50 min.); e a Onyewu (19 min.), Insúa (31 min.), Xandão (39 min.) e Elias (71 min.)
Resultado ao Intervalo: 1-0
Resultado Final: 2-0
Marcadores: Benachour (21 min.) e Danilo Dias (59 min.)
Melhores em campo: Danilo Dias (Marítimo) e Elias (Sporting)
Crónica:
O Sporting caiu para quinto lugar na Liga Zon Sagres após ser derrotado por duas bolas a zero nos Barreiros, num duelo em que a vitória madeirense foi justa e incontestável. De facto, durante toda a primeira parte, só existiu uma equipa em campo e esse conjunto foi o maritimista, que soube explorar a velocidade dos seus avançados e as dificuldades da estreante dupla de centrais Onyewu/Xandão, para chegar ao descanso a vencer por 1-0, resultado que não merecia qualquer contestação.
Na segunda metade, os leões, com a entrada de Schaars e Izmailov, melhoraram de produção e tornaram-se mais acutilantes no meio-campo. Todavia, os madeirenses souberam suster essa situação, recuando o bloco defensivo e tiveram ainda a capacidade de aumentarem a vantagem na sequência de um rápido contra-ataque, superiormente concluído por Danilo Dias.
Com este resultado, a equipa do Marítimo atinge os 32 pontos à décima oitava jornada do campeonato nacional, algo que nunca tinha conseguido fazer em 102 anos de história.
Marítimo com três avançados muito móveis na frente
Sem nenhum ponta de lança de raiz disponível, o Marítimo optou por um 4x2x1x3 com três elementos muito móveis na frente de ataque: Héldon-Danilo Dias-Sami. Nesse seguimento, a equipa madeirense entrou em campo com Peçanha na baliza; um sector defensivo com Briguel (lateral-direito), Luís Olim (lateral-esquerdo) e a dupla de centrais: João Guilherme e Roberge; depois, no meio-campo, Roberto Sousa e Rafael Miranda formavam o duplo-pivot, enquanto Benachour era o “dez”; por fim, no ataque, Héldon encostava à direita, Sami encostava ao flanco oposto e Danilo Dias era o avançado-centro.
Por outro lado, a equipa leonina mantinha o 4x2x1x3 do jogo com o Nacional para a Taça de Portugal, mantendo Elias próximo de Rinaudo a formar um duplo-pivot. Nesse seguimento, a equipa verde-e-branca entrou em campo com Rui Patrício na baliza; um sector defensivo com Arias (lateral-direito), Insúa (lateral-esquerdo) e a dupla de centrais: Onyewu e Xandão; depois, no meio-campo, Rinaudo e Elias formavam um duplo-pivot mais recuado, enquanto Matías era o “dez”; por fim, no ataque, Pereirinha encostava à direita, Carrillo encostava ao flanco oposto e van Wolfswinkel era o ponta de lança.
Superioridade maritimista garantiu vantagem natural no marcador
Cedo se percebeu a estratégia do Marítimo neste desafio com o Sporting: lançamentos longos para as costas da defesa do Sporting, explorando a velocidade do trio da frente e a lentidão dos dois centrais titulares dos verde-e-brancos: Xandão e Onyewu.
Ainda assim, durante o primeiro quarto de hora, o Sporting foi conseguindo suster as iniciativas ofensivas do Marítimo, sendo que o primeiro lance de perigo madeirense apenas surgiu ao minuto 15, quando Héldon ganhou na direita, suportou o choque de Xandão e cruzou para a área, onde Danilo Dias atirou por cima.
A partir daqui, o Marítimo intensificou o domínio e, aos 21 minutos, já depois de avisos de Danilo Dias (16 min.) e João Guilherme (20 min.), a equipa madeirense haveria mesmo de chegar ao golo. Na sequência de um pontapé de canto, a bola sobrou para a entrada da área, onde Benachour aplicou forte pontapé e beneficiou da má abordagem ao lance de Rui Patrício que, caricatamente, haveria de socar na direcção da sua baliza.
A vencer, o Marítimo abrandou o ritmo, beneficiando ainda da inoperância dos leões que, até ao intervalo, apenas criaram relativo perigo uma vez, à passagem do minuto 28, quando Arias obrigou Peçanha a defesa atenta junto ao poste esquerdo da sua baliza.
Assim sendo, o 1-0 com que se chegou ao intervalo era um resultado que não oferecia contestação, tal a superioridade que a equipa madeirense havia demonstrado nos primeiros quarenta e cinco minutos
Golo de Danilo Dias foi machadada final no encontro
As entradas de Schaars e Izmailov foram importantíssimas para a melhoria de produção do meio-campo leonino durante a segunda parte, ainda que essa subida de qualidade, continuava a ser pouca para incomodar seriamente a defesa madeirense, agora mais baixa, aceitando a superioridade territorial verde-e-branca.
Apesar de mais encolhido, o Marítimo nunca deixou de atacar e, ao minuto 59, Xandão escorregou em zona proibida e Benachour aproveitou para servir Danilo Dias que, na cara de Rui Patrício, não perdoou, colocando o Marítimo a vencer por duas bolas a zero.
Faltava cerca de meia hora para o final do jogo, mas percebeu-se que esse tento tinha sido um duro golpe na confiança e aspirações do Sporting. De facto, os leões ainda procuraram inverter o rumo dos acontecimentos, mas tiveram sempre pouca criatividade no último terço e os seus lances de ataque acabavam quase sempre por esbarrar na muralha madeirense ou perderem-se pela linha de fundo.
Arias, Izmailov e Ribas ainda procuraram incomodar Peçanha, todavia, a melhor oportunidade após o 2-0 de Danilo Dias, pertenceu mesmo ao Marítimo que, no segundo minuto de descontos, viu Rafael Miranda desperdiçar uma excelente ocasião para fazer o 3-0.
Assim sendo, derrota sem margem para discussão para uma equipa leonina que deve meditar bastante no seu futuro na Liga Zon Sagres, pois mesmo o terceiro lugar já se encontra a uns distantes oito pontos.
ANÁLISE INDIVIDUAL: CLUB SPORT MARÍTIMO
Peçanha: Sempre muito atento nos cruzamentos e defendendo com segurança todos os (poucos) remates que lhe foram dirigidos. Boa exibição.
Briguel: Atacou pouco, mas sempre que o fez, fê-lo com critério. A defender, esteve impecável.
João Guilherme: Excelente exibição do central brasileiro. Mandou nas alturas e pelo chão, formando uma dupla intransponível com Roberge e ainda teve tempo para ser perigoso no processo ofensivo, obrigando Rui Patrício a uma excelente defesa e perdendo outro golo por pouco.
Roberge: Seguro, sóbrio e eficaz. O defesa-central francês anulou completamente van Wolfswinkel e foi o complemento ideal para João Guilherme.
Luís Olim: Não é de grande exuberância, mas cumpriu bem o seu papel no flanco canhoto da defesa madeirense.
Roberto Sousa: Foi um pêndulo à frente da defesa madeirense, recuperando bolas e mostrando uma excelente colocação no terreno.
Rafael Miranda: Excelente nas transições defesa/ataque e ataque/defesa, correu quilómetros no meio-campo maritimista.
Benachour: Jogador mais criativo do meio-campo do Marítimo, o internacional tunisino foi decisivo no triunfo dos madeirenses, pois marcou o primeiro golo e ofereceu o segundo a Danilo Dias.
Héldon: Rápido e muito inteligente nas movimentações, Héldon foi um constante quebra-cabeças para Insúa e também para Xandão, criando imensas dificuldades ao flanco esquerdo da defesa leonina.
Danilo Dias: Adaptado a ponta de lança, o brasileiro fez um grande jogo nos Barreiros, jogando de forma magnífica na linha do fora de jogo e semeando o pânico na dupla de centrais do Sporting. Excelente a forma como fez o 2-0, mostrando frieza na cara de Rui Patrício.
Sami: Menos exuberante que os outros dois atacantes, o extremo-esquerdo fez exibição, ainda assim, positiva no flanco esquerdo do ataque madeirense.
João Luiz: Entrou para fortalecer o meio-campo e cumpriu bem essa missão
Fábio Felício: Entrou para o lugar de Héldon e refrescou o ataque madeirense
Robson: Poucos instantes em campo.
ANÁLISE INDIVIDUAL: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL
Rui Patrício: O guarda-redes do Sporting até estava a fazer uma boa exibição entre os postes, mas acabou por borrar a pintura no lance do 1-0, abordando muito mal o remate de Benachour e acabando por socar a bola na direcção da sua própria baliza. No golo de Danilo Dias, não podia ter feito melhor.
Arias: Agradável surpresa. O lateral-direito colombiano subiu sempre bem e com critério pelo seu flanco e, defensivamente, ainda foi um pronto-socorro uma série de vezes. Excelente exibição.
Onyewu: Sentiu dificuldades perante a velocidade do ataque maritimista, notando-se que jogou constantemente em sobressalto.
Xandão: Ainda pior que o central norte-americano. Sempre inseguro, somou erros infantis e ainda teve o azar de escorregar no lance do 2-0. Exibição muito fraca.
Insúa: Defensivamente esteve razoável, mas ofensivamente esteve inoperante, somando uma série de cruzamentos sem nexo.
Rinaudo: Não escapou à má exibição colectiva do Sporting. Tentou imprimir dinâmica ao meio-campo, mas não esteve ao seu nível.
Elias: Dos melhores do meio-campo do Sporting. Dinâmico, raçudo e generoso, merecia melhor companhia neste desafio do Sporting.
Matías Fernandez: Procurou ser a fonte de criatividade do meio-campo leonino, mas apesar de alguns pormenores e do talento inegável, esteve bastantes furos abaixo do que pode e sabe fazer.
Pereirinha: Aposta falhada de Domingos Paciência. Esteve 45 minutos em campo, mas sempre ausente do jogo.
van Wolfswinkel: Continua fora de forma. Lutou bastante, mas foi incapaz de superar a grande exibição da dupla: João Guilherme/Roberge.
André Carrillo: Esteve muito sozinho e desapoiado no flanco esquerdo do ataque. Pouco influente sobre o relvado.
Schaars: Deu posse de bola e tempo para pensar ao meio-campo leonino, mas, depois, faltou profundidade ao ataque dos leões, para que a sua qualidade de passe fosse mais produtiva.
Izmailov: Ainda algo preso de movimentos, nota-se que o jogador russo é um enorme acréscimo de qualidade na equipa do Sporting. Apenas precisa de mais ritmo.
Ribas: Entrou para o lado de van Wolfswinkel mas apesar de esforçado, produziu muito pouco.
Texto: Redacção NF - RFF
Imagem: Carlos Alberto Costa / Notícias do Futebol
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