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01:50 segunda, 20 de fevereiro de 2012
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Vitória FC 1-3 FC Porto

 

FICHA DE JOGO:
Liga Zon Sagres – 19ª Jornada
Vitória de Setúbal – 1 Futebol Clube do Porto-3
Data: 19 de Fevereiro de 2012
Hora: 18h15
Local: Estádio do Bonfim – Setúbal
Árbitro:
Paulo Baptista - Portalegre

VITÓRIA DE SETÚBAL FUTEBOL CLUBE: Ricardo; Ney Santos, Ricardo Silva (capitão), Amoreirinha e Miguelito; Djikiné (Rafael Lopes ao int); Bruno Amaro, Neca (Gallo aos 37’) e Hugo Leal; Tiago Targino (Bruno Severino aos 85’) e Meyong Zé;
Suplentes não utilizados: Diego, Tengarrinha, Igor e Gonçalo Graça;
Treinador: José Mota;

FUTEBOL CLUBE DO PORTO: Helton; Sapunaru, Nicolás Otamendi, Rolando e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho (Cristian Rodriguez aos 65’) e Lucho Gonzalez (Steven Defour aos 58’); Silvestre Varela, Hulk (Capitão) (James Rodriguez aos 65’) e Mark Janko;
Suplentes não utilizados: Bracali, Maicon, Kleber e Djalma;
Treinador: Vítor Pereira;

Indisciplina: Amarelos para Ney Santos (13’), Amoreirinha (21’), Bruno Amaro(82’); Sapunaru (68’) e Nicolas Otamendi (73’);
Resultado ao intervalo: 0-2
Resultado final: 1-3
Marcadores: Meyong Zé (75’); Mark Janko(3’), Fernando(25’) e Silvestre Varela(78’);
Melhores em campo: Meyong Zé (Vitória de Setúbal) e Fernando (F.C.Porto);


CRÓNICA

Mais do que ganhar, o Porto controlou o ritmo de jogo. E tal foi fundamental, pois na mente da equipa está a partida da próxima quarta-feira. No entanto, há pechas: condição física e alguma anarquia nas transições defensivas, factores que são aproveitados pelas equipas adversárias, sobretudo nas segundas partes dos desafios.

Contudo, hoje nem isso valeu ao Vitória de Setúbal. Os vitorianos são provavelmente a equipa mais fraca desta Liga e, muito embora a boa réplica dada na parte final do desafio, não tiveram hipóteses. Vitória justa dos dragões.

Nos sadinos, a exibição da defesa foi desastrosa. Também Djikiné, como pivô defensivo, esteve completamente desnorteado. Do meio – campo para a frente a equipa torna-se mais competitiva, e tem um excelente ponta-de-lança, Meyong Zé, bem alimentado por um jogador de velocidade máxima: Tiago Targino.

Uma palavra para José Mota que, na sua estreia, conseguiu remodelar a equipa na segunda parte, melhorando-a em termos de miolo (com a colocação de Hugo Leal como falso trinco, acompanhado de perto por Bruno Amaro). Chegou a assustar, é certo, mas o Porto acelerou e fechou o desafio.

O jogo começou praticamente com o golo dos dragões. Moutinho pela direita cruzou com precisão aos 3’ e Janko, ganhando a Ricardo Silva, inaugurou o marcador com uma cabeçada certeira. Pouco depois novamente o austríaco em acção: também da direita desta vez o cruzamento foi de Hulk. Janko raspou e Varela, ao segundo poste, quase bateu Ricardo.

Nesta altura o Porto jogava em pressão alta, tentando rapidamente alcançar uma vantagem dilatada que lhe permitisse tirar o pé do acelerador mais lá para o final do jogo. O Vitória, com muitos erros na linha defensiva, dava muitas abébias e não conseguia responder. Apenas Miguelito, aos 16’, num remate em arco provocou algum alvoroço.

Depois de Moutinho ter proporcionado uma boa defesa a Ricardo na sequência de um remate de longe, passava o minuto 20, o Porto voltou a marcar: erro de Amoreirinha, a passar a bola a Djikiné em zona proibida. Fernando adivinhou, correu rapidamente e, tabelando com Hulk, isolou-se e finalizou com classe. Dois a zero para os dragões.

Mais tranquilo, com o domínio do jogo e do resultado, o Porto fazia planos para quarta-feira, e colocava o jogo no congelador. Optava pela circulação de bola. As falhas adversárias, no entanto, galvanizavam a equipa comandada por Vítor Pereira: aos 38’ uma perda de bola de Miguelito deixou Varela com o corredor direito aberto.

O cruzamento saiu bom mas Janko não chegou. Perto do intervalo um atraso comprometedor de Alex Sandro, para o meio, deu boa situação aos sadinos, que no entanto desperdiçaram. Na segunda parte José Mota trocou Djikiné por Rafael Lopes e, mais do que alargar a frente de ataque, deu à equipa outra referência na posição “6”, agora entregue a Hugo Leal.

O Setúbal tranquilizou-se e ganhou outra consistência, e também aproveitou as habituais quebras dos dragões nas segundas partes.  Mas o jogo continuava azul e branco. Aos 52’ Lucho rematou mal na sequência de um canto. Na resposta Bruno Amaro, após passe de Hugo Leal, respondeu com um tiro por cima da barra. De forma a baixar ainda mais o ritmo de jogo, Vítor Pereira tirou Moutinho e Hulk, substituindo-os por James e Cristian Rodriguez.

Em desespero, o Vitória subiu as suas linhas e galvanizou-se com o golo de Meyong aos 75’.  Livre directo bem marcado, mas com culpas para Helton, dado que a bola foi praticamente para o meio da baliza. Logo depois novo susto para os dragões: cruzamento de Gallo, alívio de Helton e Targino, de frente para a baliza, quase empatou.

Foram três minutos de esperança sadina. Mas apenas três. Aos 78 tudo ficou (re) sentenciado. Excelente passe de Alex Sandro a rasgar a defesa, Rodriguez a desmarcar-se pela esquerda e a cruzar atrasado para Varela que, em zona de finalização, não perdoou.

Até ao final, diga-se, mérito para o Setúbal que não baixou os braços. Aos 83’ jogada de insistência dos vitorianos, bola nos pés de Bruno Amaro, assistência para Targino, remate de pronto, e grande defesa de Helton. Na resposta, Sapunaru aproveitou erro de Ricardo Silva para rematar à barra!

Perto do último apito, a emoção voltou. Aos 87’ erro de Defour, que isolou Meyong Zé. Valeu Rolando, mais rápido que o camaronês, a recuperar. E na última jogada do desafio Bruno Amaro, de fora da área, obrigou Helton a nova bela estirada.

Em jogo desequilibrado, o Porto conseguiu aquilo que queria: ganhar sem grande esforço físico. Quanto aos sadinos mostraram ser uma equipa com muitos problemas. A jogar assim será difícil escapar à despromoção.  



Análise Individual dos Jogadores do Vitória de Setúbal

Ricardo – Numa defesa desastrosa, foi o menos culpado. Não teve culpa em nenhum dos três golos. Excelente defesa aos 20’, negando o golo a João Moutinho.

Ney Santos – Sem ter comprometido de uma forma gritante, foi um jogador que tentou evitar a custo o 1x1 frente a Varela e a Hulk. Pelo menos nunca se desconcentrou. Uma mais – valia nos lançamentos longos, que se transformam em cruzamentos.

Ricardo Silva – Várias falhas: deixou fugir Janko para o primeiro golo da partida; aos 22’ também se esqueceu do austríaco, que ficou sozinho na área; e aos 84’ deixou a bola à mercê de Sapunaru, que atirou à barra. E foram mais. Não esteve nada bem.

Amoreirinha – Culpas no segundo golo, quando entregou a bola a Djikiné em zona proibida. Fernando, assustou, roubou a bola e tabelou para o golo. Para além das várias desconcentrações que teve, foi ainda batido com frequência em lances de 1x1. Sofrível.

Miguelito – Com poucos argumentos para travar Hulk ou Varela, esqueceu-se várias vezes de fechar o espaço, e não estranhou a quantidade de bolas bombeadas para as suas costas. Nos duelos individuais também não muito feliz. Afundou-se tal como toda a defesa sadina.

Djikiné – Exibição atarantada, sem noção de linhas de passe para iniciar a construção de jogo. A defender, o espaço consentido permitiu a penetração dos médios de forma constante. Culpas no segundo golo. Substituição naturalíssima ao intervalo.

Bruno Amaro – Provavelmente o jogador mais lúcido do miolo, preocupa-se em jogar a toda a largura do campo. Dá outra dimensão à equipa. Na segunda parte, como interior – direito, protagonizou boas trocas de bola e teve mesmo tempo para testar o remate à baliza.

Neca – É o jogador mais fantasista dos vitorianos, mas hoje saiu mais cedo, provavelmente devido a lesão. No meio da corrente ofensiva portista perdeu um pouco a preponderância, mas sempre que a bola lhe chegou aos pés a equipa ganhou outro dinamismo.

Hugo Leal – Passou a primeira parte a tentar recuperar, como interior direito, e impedir o 1x1 dos portistas em zona proibida. Já na segunda parte passou para trinco atrevido e deu-se bem: fez jogar a equipa através da sua experiência.

Targino – Em busca constante da desmarcação, teve mais êxito na segunda parte quando usou a sério a velocidade, que é a sua principal característica. Sacou a falta que deu o golo do empate.

Meyong Zé – Excelente jogador: muito experiente na recepção de bola, no serviço aos alas e também na finalização. Não é um jogador muito rápido mas compensa na forma como sabe aparecer nas zonas de finalização. Marcou um golo de belo efeito, muito embora as culpas de Helton.

Gallo – Fixou-se na zona interior esquerda e ganhou algum pulso na segunda parte, quando lançou ataques rápidos e fez vários passes em profundidade. Deu alguma consistência aos desequilíbrios que Lucho estava a provocar.

Rafael Lopes – Na ânsia de aproveitar alguma falta de capacidade física dos dragões nas segunda partes dos desafios, entrou rápido e procurou explorar as faixas, sobretudo a direita. Trabalhou, batalhou muito, e sobretudo desgastou os contrários.

Bruno Severino – Pouco tempo em campo impede uma avaliação precisa.



Análise Individual dos Jogadores do Futebol Clube do Porto

Helton – Mal batido no lance do golo: a bola foi praticamente ao meio da baliza. Numa noite de pouco trabalho, destacou-se depois do golo sofrido: excelentes defesas a remate de Targino (83’) e Bruno Amaro (92’). E lá está: é exímio nas reposições de bola, o que em jogos deste tipo valem muitos pontos à equipa.

Sapunaru – Bom regresso à equipa. Essencialmente muito atento nas suas tarefas, não dando espaço aos adversários (sobretudo Targino) e procurando zonas interiores para receber e sair a jogar. Deu uma ajuda à frente de ataque e aos 84’ quase marcava, aproveitando um deslize de Ricardo Silva.

Rolando – Algumas dificuldades em face da experiência de Meyong Zé, fez uso do facto de ser mais rápido para conseguir recuperar. Bem no jogo aéreo, cortando vários cruzamentos.

Nicolas Otamendi – Tem muitas vezes tendência para sair da sua zona de acção mas certo é que, mesmo jogando no risco, consegue levar a melhor por diversas vezes. Também sentiu dificuldades para travar Meyong Zé.

Alex Sandro – Numa exibição globalmente razoável – em termos ofensivos não faz esquecer Álvaro Pereira – descuidou-se aos 40’, quando um passe para o meio da defesa por pouco não deu golo. Tem toque de bola, futebol nos pés, está com sentido defensivo, mas continua a percorrer o seu caminho. Assistiu Cristian Rodriguez para o terceiro golo da equipa.

Fernando – Excelente. Numa equipa onde as transições defensivas são um dos pontos menos forte, é Fernando quem faz de sentinela: vai a todas. Bem auxiliado por Moutinho ou Defour nas zonas de construção consegue ter o discernimento para roubar imensas bolas. Assim aconteceu o segundo golo. Está em grande forma.

João Moutinho – Recuando estrategicamente para ajudar Fernando, foi mais uma vez o motor da equipa. Percorre quilómetros entre a defesa e o ataque, para garantir equilíbrios. Substituído a pensar no jogo de quarta-feira. Assistiu Janko para o primeiro golo.

Lucho Gonzalez – Um, dois toques, e organiza-se o miolo. Não é um jogador explosivo, de arranques, mas permite liberdade aos colegas. Pendendo mais sobre a direita, dá espaço à ocupação do meio por parte da dupla Fernando / Moutinho. Mas tem capacidade para aparecer quando é necessário. Também substituído a pensar em Manchester.

Silvestre Varela – Bastante activo em ambos os flancos, evidenciou-se pela forma como desgastou Miguelito. Ala com instruções para aparecer nas zonas de finalização, voltou a marcar, desta vez na resposta a um cruzamento de Cristian Rodriguez. Está com veia goleadora apurada.

Hulk – Foi baixando o ritmo ao longo do jogo, mas chegou para desequilibrar. Muita entrega em ambos os flancos, voltou a ser o principal ponto de desequilíbrio. Ofereceu o segundo golo ao compatriota Fernando, em tabelinha rápida. Saiu também a pensar em Manchester.

Mark Janko –  Cumpriu. Teve três oportunidades claras para facturar marcou uma delas. Mais importante do que isso aparece sempre na altura certa, ganhando posição em relação aos defesas. É claro que perde rendimento quando a equipa está longe da baliza adversária, mas é normal. Não é essa a sua especialidade.

Steven Defour – Entrou para fazer repousar o “motor Moutinho”. Fixou-se como auxilio a Fernando na posição 6, ideal para se baixar o ritmo do jogo. Aos 87’ comprometeu, colocando a bola nos pés de Meyong Zé. Rolando recuperou bem.

James Rodriguez – Ocupou a posição de Hulk, mas com liberdade para deambular pelo meio – campo ofensivo. Ganhou ritmo para quarta-feira, onde pode ser decisivo.

Cristian Rodriguez – Muito abnegado durante o tempo em que esteve em campo. Assistiu Varela para o fecho do placard.

Texto: Gil Nunes
Imagem: Carlos Alberto Costa / Notícias do Futebol
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