01:03Wednesday, 30 September de 2009
visto: 2839
 
 
Partilhe:

Entrevista com Ukra

No mundo do futebol, André Filipe Alves Monteiro é conhecido como Ukra. Aos 21 anos, este jovem formado no Futebol Clube do Porto assume-se como uma das pedras nucleares do xadrez de Jorge Costa no Olhanense. Entrou nos quadros do clube portuense aos 11 anos e completou toda a sua formação com grande nível. Dois títulos nas camadas jovens, e duas épocas como sénior bem sucedidas fazem de Ukra uma das maiores promessas do futebol luso. Numa entrevista informal e com muita boa disposição, Ukra revelou ao NOTICIAS DO FUTEBOL tudo aquilo que o move na carreira futebolística. Desde o passado no Famalicão, a passagem pelo FC Porto, os empréstimos ao Varzim e Olhanense, culminando na Selecção Nacional.



O DESPERTAR PARA O FUTEBOL

- O futebol foi sempre o teu desporto de eleição?
-
Sim foi, desde pequeno que sempre gostei de futebol. O meu pai esteve sempre ligado ao futebol, porque chegou a ser director do Famalicão e acho que isso foi o principal motivo que me puxou para ser futebolista.

- Quem é que mais te apoiou na decisão de seguir carreira no futebol?
-
Ao início foi o meu pai. A minha mãe não achava muita piada à ideia mas depois lá conseguimos convencê-la (risos). Acabou por ser mais uma pessoa que me apoiou para dar seguimento à minha carreira.

- A partir de que idade começaste a jogar filiado?
-
A partir dos dez anos, no Famalicão.

- Como foi conciliar os estudos com a vida de jogador?
-
Ao início foi fácil porque eu saía da escola e estava logo no campo de futebol. Os meus pais sempre me avisaram que eu tinha que tirar boas notas senão não ia aos treinos. E eu não queria faltar aos treinos, queria jogar e isso foi mais um factor para eu me aplicar na escola.

A partir do momento em que fui para o FC Porto, tudo se tornou mais complicado porque tinha aulas até as 18:15m, sair de Famalicão e ir até ao Porto com os treinos às 19:00 era muito complicado porque apanhávamos trânsito e quando chegava a casa já era noite. Basicamente era jantar e ir dormir. Comecei a descuidar-me um pouco dos estudos. É normal, uma pessoa começa a focar-se só no futebol, é a coisa que gostamos de fazer e lá se foram os estudos.

- Inicialmente jogavas a que posição?
-
Quando era miúdo, queria ser guarda-redes pois gostava muito do Vítor Baía. Quando fui para o Famalicão pela primeira vez estava com intenções de ir para a baliza, mas comecei a ver os miúdos a jogar, a correr e a marcar golos, decidi que queria ser ponta de lança. Portanto, comecei no Famalicão como ponta de lança. Já no tempo de Futebol Clube do Porto começaram a pôr-me a jogar a ala e a partir daí fiquei mesmo na ala.

O facto de se encontrarem rapazes altos com muita força nos iniciados pode ter pesado na decisão de me fazerem descair para a linha. Entenderam que seria mais benéfico para mim jogar nas alas, e até agora tenho sido sempre ala.


O FAMALICAO E O DESAFIO DO FC PORTO

- Jogaste quantas épocas no teu primeiro clube, o Famalicão?
-
Fiz duas épocas federado, nos meus dois anos de infantil.

- Como te correram essas duas temporadas?
-
Correram muito bem. No primeiro ano de infantil joguei pela equipa de segundo ano, a avançado, como era rápido e pequeno era mais complicado travarem-me. Penso que cheguei aos 43 golos no campeonato distrital de Braga.

- No ano seguinte rumaste para o FC Porto, como surgiu a oportunidade de ires para os dragões?
-
Como sabes, Famalicão pertence ao distrito de Braga e quando comecei a ser chamado à selecção da Associação de Futebol de Braga, as pessoas do FC Porto começaram a seguir-me e chegaram a falar com o meu pai para saber se era possível eu ir para o Porto, no meu primeiro ano de Infantil. Mas como eu era muito pequeno, o meu pai torceu o nariz e achou que era melhor eu ficar mais um ano no Famalicão. Depois no final da segunda época de infantil, voltaram a insistir e eu pedi ao meu pai para me dar essa oportunidade de poder representar o clube do meu coração desde sempre.

- Apesar de colocarem entraves, a tua família apoiou-te na mudança?
-
Quando surgiu a oportunidade de ir para o FC Porto apoiaram-me, viram que eu tinha uma grande alegria nos olhos quando soube da proposta do FC Porto e se calhar foi isso que os fez aprovar a mudança.

- Quando assinaste pelo FC Porto, ficaste a morar em Famalicão ou mudaste-te para o Porto?
-
Fiquei a morar em Famalicão, são apenas 28 km que se fazem bem em 20 minutos. E acho que era melhor para mim estar em casa, porque senão podia ir para lá [Porto] sozinho e depois perder-me como acontece com alguns jogadores. Nem eu nem o meu pai queríamos que isso acontecesse, e acho que foi o melhor para mim ficar em Famalicão. Fiz toda a formação tendo este ritual de ir todos os dias para o Porto para os treinos.

- Quando chegaste ao FC Porto como eram as condições logísticas em termos de formação?
-
Na altura treinávamos e jogávamos na Constituição, que foi o primeiro campo do FC Porto. Para Iniciados e Infantis naquela altura era dos melhores campos que havia no país. Mas conforme os anos passam, as coisas vão evoluindo e agora a Constituição tem um sintético fantástico, tem condições muito melhores do que tínhamos na nossa altura. Depois, após o empréstimo ao Padroense, no meu segundo ano de juvenil comecei a utilizar as instalações do Olival. Notou-se bastante a diferença, mas é como eu digo, quando uma pessoa lá está não dá tanto valor ao que tem. Porque quando saímos do Porto vamos sempre para um clube com condições inferiores, e só depois é que damos valor ao que tínhamos, e que muitos jovens gostavam de ter e não têm.

- Como foi a adaptação ao nível de exigência do FCP?
-
No Famalicão tinha três treinos por semana e no FC Porto treinava todos os dias. É claro que o nível de exigência era muito diferente daquele que eu tinha no Famalicão. Porque o FC Porto é um clube com cultura de vitória, que entra em todos os jogos para ganhar, e aprendi muito no tempo em que estive no FC Porto.

- Quem foi o teu primeiro treinador no Porto?
-
Foi o José Rolando.

- Houve alguém no clube que mais te tenha ajudado na integração?
-
Desde o momento em que cheguei ao Porto todas as pessoas foram espectaculares comigo, nunca me faltaram com nada e mesmo o grupo, alguns dos jogadores que agora jogam comigo estavam lá, e ajudaram-me a integrar muito bem. E fiz lá boas amizades.

- Visto estares sempre em casa, achas que isso te ajudou a passar a tua fase de formação?
-
Ajudou sim. Sei que alguns passam pelas saudades da família, algo que é perfeitamente normal porque os jovens com 13, 14 anos querem estar com a família e sentem saudades dela. Eu estava com eles todos os dias, e eram sempre um suporte de apoio para mim e isso é muito importante para alguém da minha idade na altura.

- Os dois anos de iniciado como te correram?
-
Correram bem, no primeiro ano cheguei a fazer 5 jogos pelos Iniciados B, que alinhavam no Campeonato Distrital. No ano seguinte passei para a equipa que alinhava no Campeonato Nacional e até fomos campeões.

- Na temporada seguinte, à imagem do que sucede com a maioria dos juvenis de primeiro ano, foste emprestado ao Padroense, como encaraste essa experiência?
-
Foi uma experiência muito benéfica para nós, porque o Padroense era uma equipa satélite do Porto que nos deu oportunidade de alinhar no Campeonato Nacional de Juvenis. Porque há outros clubes que têm equipa B, mas essa equipa B nunca pode jogar no campeonato principal, onde haja a equipa A. E nós, como o Boavista tem o Pasteleira, tivemos a possibilidade de jogar ao mais alto nível e até fizemos uma boa campanha, passando à segunda fase. Penso que no geral foi uma boa experiência para nós.

- Na temporada seguinte, voltaste ao FC Porto e não mais saíste, sentes que a tua formação no clube azul e branco foi positiva?
-
Foi bastante positiva, conquistei dois campeonatos nacionais. Um outro perdemos por diferença de um golo, no escalão de juvenis. Foi uma experiencia boa, passei ali momentos muito felizes e só tenho que agradecer ao FC Porto pela oportunidade que me deu, de poder representar esse grande clube.

- No teu trajecto de dragão ao peito, que jogador enquanto futebolista mais te marcou?
-
Tenho muitos jogadores a mencionar, jogadores de enorme qualidade como o André Castro, o Hugo Ventura ou o Rui Pedro que agora está no Gil Vicente. Sei que há aqui muitos jogadores que sei e espero que tenham um futuro risonho pela sua frente, como eu também espero ter. Sei que fiz ali boas amizades, acho que isso é o mais importante.

- Quanto a treinadores, quem mais te deu indicações a que agora dás valor?
-
Tive vários treinadores, cada um com os seus métodos próprios. O meu primeiro treinador, o Mister Rolando, pelo facto de ter sido o primeiro teve uma importância maior, muito por causa de eu vir de Famalicão e ele deu-me logo a entender como eram as coisas no FC Porto. Foi porventura o treinador mais importante na minha carreira porque me ajudou bastante na integração no clube. Mas um treinador de quem eu gostei muito, talvez o melhor, foi o José Guilherme (NDR: Ex-Mister dos Juvenis A do FC Porto e actual Preparador Físico da Selecção A) no 2º ano de juvenil e no 1º de júnior.

- Quando foi o teu primeiro treino juntamente com os seniores? Como te sentiste?
-
Lembro-me que foi depois de um jogo contra o Leixões, na altura eu era júnior de segundo ano. Fui eu, o Castro, o Rui Pedro, o Ventura e o Hugo Monteiro. Foram momentos únicos, que certamente ficarão na minha memória para sempre. Era o sonho de poder treinar com o plantel principal e acho que foi muito bom para mim. Senti-me bem, eles receberam-me muito bem. São pessoas fantásticas, por vezes as pessoas têm ideias erradas deles. Eles também já passaram pelo nosso lado e entendem bem como nós nos sentimos quando vamos fazer um treino com o plantel principal. Só tenho que agradecer a maneira como me receberam e da forma como fui lá tratado.

- No último ano de júnior o FC Porto foi campeão, sentes que foi um fechar de ciclo com chave de ouro?
-
Sim, penso que sim. Quando uma pessoa está nas camadas jovens de um clube da dimensão do FC Porto, Sporting CP ou SL Benfica, o sonho é ser campeão nacional. Tive a felicidade de isso acontecer, trabalhamos todos em prol do mesmo objectivo.

Ukra

A PROFISSIONALIZAÇÃO E OS EMPRÉSTIMOS

- Em que altura é que surgiu a oportunidade de assinares o contrato profissional com o FC Porto? Quem é que foi falar contigo sobre essa possibilidade?
-
Assinei contrato de profissional com o FC Porto quando era júnior de primeiro ano, era um contrato de três anos. Quem veio falar comigo foi o Senhor Joaquim Pinheiro, que é irmão do Reinaldo Teles.

- Como reagiste a essa notícia?
- Tive uma reacção normal, fiquei bastante contente. Na altura eu tinha contrato de formação e quando se recebe uma proposta de contrato profissional com um clube grande é sinal de orgulho, é sinal de que as pessoas estiveram atentas ao nosso trabalho e que gostam de nós.

- No 1º ano de sénior foste emprestado ao Varzim e conseguiste ter bastantes presenças na equipa poveira apesar de seres muito jovem. Qual achas ser o principal problema para os jogadores de primeiro ano de sénior em se integrarem nas equipas seniores e serem mais utilizados?
-
Como toda a gente diz, o primeiro ano de sénior é o mais complicado. Porque saímos da formação, e há clubes que não gostam de apostar nos jovens, porém acho que isso é um erro porque há muitos jovens que saem da formação e têm muita qualidade. Nesse ano, eu e o Daniel Candeias estivemos emprestados ao Varzim, tivemos muita sorte em o Varzim se interessar pelos nossos serviços porque jogar na 2ª Liga logo no primeiro ano de sénior é muito bom para nós. Ganhamos muita experiencia e em termos competitivos é muito diferente da formação, exigindo muito mais de nós.

- Sendo o teu primeiro ano de sénior, achas que foi positiva para ti essa passagem no Varzim?
-
Não pensava fazer tantos jogos, visto que o primeiro ano de sénior costuma ser muito complicado. Foi um ano muito positivo para mim.

- Após essa temporada, surgiu a oportunidade de ires para o Olhanense, o que te fez aceitar o desafio de percorrer o pais de lés a lés para vir jogar para o Algarve?
-
Na altura em que eu ia renovar contrato com o FC Porto, o Mister Jorge Costa disse que queria contar comigo e eu disse-lhe logo “quando renovar vou logo para baixo [Algarve]”. Ainda por cima sendo o Jorge Costa uma figura incontornável do FC Porto, o grande capitão, nem sequer hesitei. Achei que iria ser uma experiencia muito boa para mim, também por estar longe da família pensei que iria crescer enquanto pessoa. Encontraria dificuldades que não tinha no Norte, porque quando estamos em casa os pais fazem quase tudo por nós, e aqui estando sozinho temos que tratar nós dos nossos assuntos.

- Logo no primeiro ano cá, não falhaste um único encontro na liga, qual foi o segredo dessa regularidade? Não tiveste lesões, nem foste nenhuma vez castigado…
-
Não tive qualquer lesão nessa época. Antes, no primeiro ano de júnior tive uma lesão complicada, uma rotura dos ligamentos cruzados. E quando um jogador não tem lesões graves acho que tudo fica bem mais encaminhado para fazer uma boa época. E o Mister Jorge Costa apostou em mim e eu dei sempre o meu máximo em todos os jogos para retribuir essa sua confiança. E penso que esse foi o segredo para eu ter feito essa época tão regular.

- Sentes que foste decisivo na subida de divisão?
-
Fomos todos decisivos, mas como nós à frente fazemos os golos e as assistências somos mais falados e as pessoas dão mais valor, mas de certeza que todos, mesmo os que não jogavam, foram importantes para a subida.

- O treinador Jorge Costa foi um dos heróis da subida, qual é a tua opinião sobre ele e os seus métodos?
-
Por vezes as pessoas vêm falar comigo, porque têm a ideia de que o Jorge Costa é igual tanto como treinador ou jogador. Sabemos que o Jorge Costa era um jogador agressivo, no bom sentido da palavra, disputava os lances como se fossem os últimos do encontro. E as pessoas têm uma ideia completamente errada do que ele é. O mister é amigo dos jogadores, algo que é sem dúvida muito importante. É muito boa pessoa, fala muito connosco, entende-nos porque já passou pela experiência que é ser jogador e assim entende-nos melhor.

Como pessoa é cinco estrelas. Enquanto treinador dá para ver que ainda é jovem, comparado com alguns outros treinadores, mas é um treinador que gosta de uma equipa de ataque, uma equipa que dê espectáculo e que tenha posse de bola. Penso que o mister tem tudo para ser bem sucedido. E aqui em Olhão temos uma equipa à imagem daquilo que o Mister gosta de aplicar em campo.

- Subiram de divisão nesse mesmo ano, qual foi o principal factor?
-
Penso que tenha sido a união e a amizade que existe dentro do grupo, equipa técnica, direcção e jogadores. Acho que foi o segredo da subida, porque houve alturas em que passamos por dificuldades, como uma fase em que tivemos três derrotas seguidas, mas tivemos sempre o apoio uns dos outros. Penso que no fundo foi esse o nosso segredo.

- No Olhanense nota-se que os adeptos têm um carinho especial por ti, porque é que achas que isso acontece?
-
Se calhar é porque eu em cada jogo que faça pelo Olhanense, deixo tudo em campo. Tento dar o meu máximo e acho que as pessoas de Olhão gostam de um jogador assim com essas características, basicamente um jogador à Olhanense. Um jogador que deixa tudo em campo, um jogador que lute… Aqui em Olhão as pessoas simpatizam muito com os jogadores, mesmo quando estamos na rua elas vêm falar connosco, dão-nos moral, no fundo são pessoas simpáticas. E acho que isto é muito importante para nós dentro do campo, quando sentimos o apoio deles tudo se torna mais fácil e mais motivador.

- Esse carinho que os adeptos demonstram por ti foi um dos factores que te fez continuar aqui em Olhão?
-
No ano passado perguntavam-me se eu queria regressar ao FC Porto ou se eu queria ficar aqui, e eu dizia que preferia ficar aqui e poder jogar. Aqui sei que as pessoas gostam muito de mim, sinto que sou muito acarinhado e acho que isso é um factor importante, fazendo com que o jogador se sinta bem num clube tudo se torna mais fácil para nós.

- Qual é o jogador que tens em maior conta desde que estás cá?
-
Na minha maneira de ser, dou-me bem com toda a gente. Aqui no Olhanense está um caso caricato, eu cheguei a ser apanha-bolas do Djalmir quando ele estava no Famalicão. E na minha infância se calhar idealizei-o como um exemplo para mim. Na altura era o melhor jogador do Famalicão, e tudo o que ele fazia eu andava sempre atrás, segui muito a carreira dele, quando ele foi para o Belenenses, Salgueiros, Feirense e agora encontrá-lo aqui é uma coisa estranha porque antes via-o a marcar golos e agora dou-lhe golos a marcar (risos). É uma situação caricata mas bonita. À imagem do Djalmir, gosto bastante do nosso capitão Rui Duarte, são dois jogadores que têm muita qualidade, dois jogadores referência.

- Na mesma condição que tu, há em Olhão alguns jogadores com ligação ao FCP, sentes que ter ao teu lado jogadores que sentiram a mesma camisola que tu, e que receberam os mesmos ensinamentos é bom para o colectivo?
-
É sempre bom termos amigos nossos que fizeram formação connosco. Isso também nos ajuda muito, porque da primeira vez que viemos para cá não conhecíamos ninguém, só nos conhecíamos uns aos outros e acho que isso ajudou bastante. Quando vamos sozinhos para um clube a integração no plantel demora mais uns tempos e então com essa companhia dos amigos é claramente benéfico.

- Num nível superior, quais são os teus objectivos nesta temporada?
-
O objectivo é garantir a manutenção o mais rápido possível, depois o que vier por acréscimo é um prémio para nós.

- E quais são os teus objectivos pessoais?
-
Fazer uma época igual ou melhor do que a que fiz no ano passado. Tentar ser muito regular e ajudar o Olhanense a concretizar os seus objectivos.

- Achas que após esta época podes dar o “salto”, ou voltar ao FC Porto?
-
É o meu sonho desde miúdo poder representar o plantel principal do FC Porto. Por mim já estava lá há muito tempo, é realmente um sonho. Infelizmente não sou eu que mando, mas mesmo assim vou fazer tudo para ajudar o Olhanense e o futuro logo se verá. 


REPRESENTAR UMA NAÇÃO

- Lembraste da tua primeira internacionalização? Em que escalão foi? Quem era o treinador?
-
Foi a 15 ou 16 de Dezembro contra a França em Odivelas, foi nos Sub-16. O seleccionador era o António Violante.

- Como reagiste à notícia?
-
Foi um orgulho para mim pode representar o nosso país, foi sinal de que as pessoas estavam atentas ao meu trabalho e ao meu valor e foi muito importante para mim. Deu-me mais motivação para seguir em frente na minha carreira.

- Como foi vestir a camisola das quinas?
-
É sempre um orgulho, é um prazer vestir aquela camisola e então quando toca o hino até a pele arrepia. É mesmo uma sensação única.

- Nessa selecção, que jogadores lá encontraste?
-
Praticamente são os que estão agora nos Sub-21, o Fábio Paim, o Candeias, Castro, Rui Pedro…

- No teu percurso de selecção, qual foi o jogador das outras selecções que mais te impressionou?
-
Houve vários jogadores que me ficaram na retina como o Diego Capel que agora está no Sevilha, o Mata do Valência e o mais badalado, também o Theo Walcott. Mas também há jogadores que dão nas vistas mais cedo, e outros que só despontam mais tarde. Mas os jogadores que vão à selecção são sempre jogadores de qualidade e todos podem ter um bom futuro.

- Falaste apenas em jogadores de ataque, lembraste de algum defesa que te tenha dado mais trabalho?
-
Sinceramente não me lembro de nenhum, nenhum que esteja em grandes clubes.

- Nos anos seguintes à tua primeira chamada, continuaste a ir assiduamente à Selecção?
-
Continuei a ir sempre à selecção até à altura da lesão, nessa altura deixei de ser chamado para fazer a recuperação mas depois felizmente regressei às convocatórias

- Actualmente integras a equipa de Sub-21 que disputa o apuramento para o Euro 2011, achas que somos capazes de ir em frente num grupo que inclui a Inglaterra e a Grécia?
-
Sim, temos uma equipa cheia de talento e de amigos e sabemos que podemos passar. Mas também sabemos que, provavelmente a Inglaterra e a Grécia são as equipas que nos vão fazer frente mas acho que temos todas as capacidades necessárias para ser primeiros no grupo.

- O que achas do seleccionador actual, o mister Oceano Cruz?
-
Toda a gente sabe que foi o grande capitão do Sporting. É um excelente treinador, até agora tivemos poucas oportunidades para estar com ele. Apenas fizemos dois jogos com ele, mas dá para ver que é um bom treinador, que obteve alguma experiencia internacional enquanto jogador que é algo que tem a seu favor.

- Na selecção jogas juntamente com o Fábio Coentrão nas alas, como tens visto a afirmação dele na equipa do Benfica?
-
O Fábio Coentrão passou por momentos complicados, quando foi emprestado ao Saragoça e não foi utilizado, mas eu sabia que ele tinha qualidade e ele agora está a mostrar tudo o que vale. No fundo sabia que ele ia dar a volta por cima e fico muito feliz por ele estar em tão boa forma.

- Acreditas que poderás a longo prazo conseguir seguir os passos dele mas no FCP?
-
Acredito que sim, se não acreditasse talvez não valesse a pena estar aqui. Acredito que posso evoluir ainda mais, acredito que posso chegar ao plantel do FC Porto. Mas vou continuar a trabalhar para que o meu sonho se realize. 

Ukra

 A AUTO-AVALIAÇÃO DE UKRA

- És supersticioso?
-
Não, apenas me lembro da minha filha sempre que entro em campo. E a única coisa que peço é que o jogo me corra bem e que não me lesione.

- Como te defines enquanto jogador?
-
Sou um jogador rápido, forte no um-para-um, sou bom nos cruzamentos, acho que são esses os meus pontos fortes.

- Há algum aspecto em que gostasses de melhorar?
-
Talvez o meu jogo aéreo.

- Há algum jogador com quem te identifiques mais?
-
Talvez o Simão Sabrosa, porque às vezes faço fintas mais vistosas enquanto o Simão é um jogador de fintas simples e um jogador muito objectivo. Mas eu também sou um jogador objectivo, às vezes faço fintas vistosas mas talvez mesmo ele tendo sido formado no Sporting e tendo passado pelo Benfica é o jogador de referência para mim. Mas o meu jogador preferido, aquele que sigo mais atentamente é o Cristiano Ronaldo.

- Qual é o teu clube do coração?
-
O FC Porto, desde sempre.

- Qual seria o clube de sonho onde gostarias de alinhar?
-
Sempre sonhei alinhar no FC Porto, mas se for mais além gostava que fosse no Barcelona.

- Porquê a alcunha Ukra?
-
Quando eu era mais novo tinha o cabelo muito loiro e as pessoas diziam que eu tinha cara de ucraniano e começaram-me a chamar "ucraniano", só que depois era um nome muito longo e adaptaram para Ukra. E assim ficou.

- Imagina que tinhas mais dez anos ou que o Jorge Costa tinha menos dez anos de idade, quem achas que ganharia o duelo?
-
Ia ser um duelo renhido mas não sei, talvez passasse a bola e eu ficasse (risos). Era capaz de ser um duelo interessante.



Entrevista realizada no dia 30 de Setembro de 2009 no Estádio José Arcanjo em Olhão.
Texto: Fábio Lima.
Imagens: NF.

Copyright © . Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito de Notícias do Futebol. Consulte as condições legais de utilização.
Partilhe: